• VALMIRIA DUATE

O que o Conto da Branca de Neve pode nos ensinar sobre o medo de escrever


Quantas pessoas têm o desejo de escrever, mas não se acham boas o bastante? Sentem-se abaladas com as opiniões alheias, deixam de realizar um projeto ou um sonho por medo ou vergonha. Será que isso tem a ver com a busca por aprovação?

Espelho, espelho meu...Quem nunca ouviu essa expressão usada no antigo conto dos irmãos Grimm, que ficou famosa na adaptação da Disney nos anos 40.

É com esta pergunta que a madrasta de Branca de Neve dialogava com seu espelho mágico. Buscava nele a afirmação que fazia com que se sentisse mais segura.

Isso nos traz uma reflexão. O que leva uma pessoa a acreditar mais em um reflexo do que em si mesma? O que leva uma pessoa a precisar dessa validação para realizar algo?


Origem da necessidade de aprovação

Para entendermos melhor como funciona essa vontade de ser reconhecido, precisamos nos remeter a infância.

Toda criança tem uma necessidade gigantesca de manter conexão com seus pais e faz de tudo para agradá-los. Desde cedo aprende a identificar as atitudes que os deixam satisfeitos e as que não e, como não tem autonomia e nem maturidade para fazer suas próprias escolhas, as faz baseando-se no que julga ganhar a aprovação dos pais, aumentado assim a sensação de cumplicidade e amor com eles.

No ambiente escolar, isso não é diferente. A criança sente a necessidade de que seus trabalhos sejam bem vistos pelos professores e colegas e alguns problemas podem começar a surgir quando isso não acontece.


Compondo as primeiras histórias

Que criança não sonha em aprender a ler e escrever? Quantas não gostariam de criar as suas próprias histórias, como as que um dia elas viram em um livro ilustrado?

Isso é comum e, mais comum ainda, é a forma como elas, gradativamente, passam a criar receio ou até mesmo frustração em relação a esse processo quando sentem que este não foi reconhecido.

É interessante saber que tal desaprovação não é necessariamente uma verdade, pode ser somente uma representação, a forma como interpretaram alguma situação. No entanto, quando isso acontece em relação a escrita e há um julgamento de que as pessoas não gostam dos seus textos, o encanto pela escrita vai se perdendo e essa criança pode começar a evitar essa prática.


Reflexos dessas experiências na vida adulta

A progressão dessas experiências e emoções faz com que a criança se transforme em um adulto que acredita que escrever não é para ele, que não sabe o que colocar no papel e nem desenvolver nenhum assunto. A maioria das pessoas que me procura ou para oficinas ou mesmo para saber como funciona o meu trabalho de revisão e orientação literária, têm muita insegurança em relação a sua escrita e não demora muito para juntos, percebermos, que isso teve início na vida escolar.

É importante não deixar que tal receio seja maior que o próprio objetivo, se você tem o desejo de escrever, faça! Existem hoje, no mercado, excelentes profissionais que podem te ajudar, tanto orientando a escrita como revisando os seus textos.


O autoconhecimento e a escrita

O quanto você acredita em si mesmo e no seu potencial? Você tem consciência de que você é um ser único? Como você tem colocado a sua unicidade em prática?

Quando temos um opinião positiva sobre nós mesmos e acreditamos em nosso potencial uma reprovação não nos faz mal. Cada pessoa tem sua própria maneira de colocar suas ideias no papel. É essencial que você conheça e entre em contato com esse seu processo que é tão pessoal.


Descobrindo e respeitando seu próprio estilo

Quando uma pessoa não conhece seu estilo ela pode começar a buscar “receitas” de como escrever, adotando outros modos que não condizem com sua essência. Para que haja progresso é preciso que a individualização seja respeitada, afinal nós avançamos muito mais quando somos nós mesmos.

E é claro, para fazer isso é preciso ter coragem, já que tudo o que não é “igual” pode ser criticado. Steve Jobs aconselha que não permitamos que o ruído das opiniões dos outros abafem nossa própria voz interior.

Se existe uma vontade, um sonho ou uma necessidade de escrever, isso não pode ser abafado por medo de não ser bom o suficiente ou de não ser tão bom quanto o outro. A comparação nem sempre é saudável. Se alguém escreve um texto diferente do seu, não significa que ele é melhor ou pior que você, apenas que vocês são duas pessoas de estilos diferentes.

No conto a madrasta má teve um triste fim. Sua insegurança a fez acreditar que não era boa o bastante e com sua insana compulsão de se comparar com o outro e buscar ser o que não era, acabou caindo em um abismo, onde ela e seus sonhos encontraram a morte.

Há algum tempo eu também quase joguei meu sonho com a escrita em um abismo, mas escolhi fazer diferente e você também pode fazer.

Construa histórias e deixe no mundo o seu legado!

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